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Abstract

f in silver, and it’s too soft for making useful tools, their value is purely cultural.</p><p id="edba">Set weights of precious metals eventually gave birth to coins, <b>first coins in history were struck around 640 BC by King Alyattes of Lydia</b>, in western Anatolia, <b>these coins had a standardized weight of gold or silver, and were imprinted with an identification mark, the mark warranty two things: how much precious metal the coin contained and the authority who had issued the coin that guaranteed its content.</b></p><figure id="a284"><img src="https://cdn-images-1.readmedium.com/v2/resize:fit:800/1*ElZ1qfQANSNXTZuq-aOtuQ.jpeg"><figcaption><b>First Coin-King Alyattes</b></figcaption></figure><p id="8042">Almost all coins in use today are descendants of the Lydian coins and as Lydian-style coinage was spreading from the Mediterranean to the Indian Ocean, China developed a slightly different monetary system, based on bronze coins and unmarked silver and gold ingots, however, the two monetary systems had enough in common that close monetary and commercial relations were established between the Chinese zone and the Lydian zone, the appearance of a single trans-national and trans-cultural monetary zone laid the foundation for the unification of Afro-Asia, and eventually of the entire globe, into a single economic and political sphere.</p><figure id="f271"><img src="https://cdn-images-1.readmedium.com/v2/resize:fit:800/1*0bmrnLCCmMGwAU0eB3KaqA.jpeg"><figcaption>Treated Gold</figcaption></figure><blockquote id="9e9d"><p><b>Yet, why should Chinese, Indians, Spaniards, and Muslims(very different cultures) share the same belief in gold?!</b></p></blockquote><p id="38c4">Well, <b>Once trade connects two areas, the law of supply and demand tend to equalize the prices of goods</b>, to understand why consider this theoretical case:</p><blockquote id="1c5f"><p>Assume that when regular trade opened between India and the Mediterranean Indians were uninterested in gold, so it was almost worthless but in the Mediterranean, gold was a coveted status symbol, hence its value was high, what would happen next? Merchants traveling between India and the Mediterranean would notice the difference in the value of gold, to make a profit, they would buy gold cheaply in India and sell it dearly in the Mediterranean. Consequently, the demand for gold in India would skyrocket, as would its value, at the same time the Mediterranean would experience an influx of gold, whose value would consequently drop. Within a short time, the value of gold in India and the Mediterranean would be quite similar.</p></blockquote><figure id="fd86"><img src="https://cdn-images-1.readmedium.com/v2/resize:fit:800/1*MdCoCmJm2ckSxsQSwnG-IA.jpeg"><figcaption>Big Market</figcaption></figure><h1 id="9c10">Conclusion</h1><p id="9539">For thousands of years, philosophers, thinkers, and prophets have besmirched money and called it the root of all evil. Be that as it may, money is also the apogee of human tolerance. Money is more open-minded than language, state laws, cultural codes, religious beliefs, and social habits. Money is the only trust system created by humans that can bridge almost any cultural gap, and that does not discriminate based on religion, gender, race, age, or sexual orientation. <b><i>Thanks to money, even people who don’t know each other and don’t trust each other can nevertheless cooperate effectively.</i></b></p><h2 id="1233">Versão em Português</h2><p id="3ef2">Os caçadores-recoletores não tinham dinheiro, cada bando caçava e produzia quase tudo o que era necessário, diferentes membros do grupo poderiam especializar-se em diferentes tarefas mas partilhavam os bens e serviços através de uma economia de favores e obrigações.</p><p id="c921">Nada ou quase nada mudou com a ascensão da revolução agrícola, a maioria das pessoas continuou a viver em pequenas comunidades, tal como os caçadores-recoletores cada aldeia era uma unidade economicamente autossuficiente sustentada por favores e obrigações mútuas aliadas a algumas trocas com estanhos.</p><p id="5e3a">O crescimento das cidades, reinos e a melhoria nas redes de transporte trouxeram novas oportunidades de especialização, as cidades mais povoadas ofereciam emprego a tempo-inteiro não só para carpinteiros e advogados mas também para sapateiros e soldados. As aldeias que ganharam boa reputação por produzirem bons sapatos ou olaria, por exemplo, descobriram que valia a pena especializarem-se na produção desse produto específico e comerciar com outras povoações para obterem os outros produtos que precisavam. No entanto, esta especialização criou um problema, como gerir a troca de bens entre os especialistas e a população da forma mais justa possível?!</p><p id="0e89">Uma economia de favores e obrigações não funciona quando um grande número de estranhos tentam cooperar, uma coisa é ajudar um irmão ou vizinho, outra coisa completamente diferente é colaborar com estranhos que poderão nunca retribuir o favor. Podemos recorrer à troca direta, no entanto, este método apenas é eficaz entre uma gama limitada de produtos, não pode servir de base a uma economia complexa. Algumas sociedades tentaram resolver o problema estabelecendo um sistema de trocas diretas que recolhia os produtos dos produtores especializados e distribuía-os pelos que deles precisavam. Esta experiência falhou miseravelmente, “trabalhar pelas minhas possibilidades e receber segundo as minhas necessidades” rapidamente se tornou em “todos trabalhariam tão pouco quanto pudessem e receberiam de acordo com o que conseguiriam apanhar”. Felizmente, a maioria das sociedades encontraram um sistema mais seguro para interligar um grande número de especialistas — o dinheiro.</p><p id="27b3">O dinheiro foi criado muitas vezes em muitos locais, o seu desenvolvimento não requeria avanços na tecnologia, foi apenas uma revolução unicamente mental. Envolveu a criação de uma nova realidade intersubjetiva que apenas existe na imaginação partilhada das pessoas. Dinheiro n

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ão são moedas nem notas de banco, o dinheiro é tudo o que as pessoas estão dispostas a usar para sistematicamente representar o valor de outras coisas com o propósito de trocar bens e serviços, o dinheiro permitiu às pessoas compararem rápida e facilmente o valor de diferentes coisas. Já existiram muitos tipos de dinheiro, o mais comum é a moeda — um pedaço padronizado de metal gravado, no entanto, já existia dinheiro muito antes da invenção da cunhagem e as culturas prosperaram usando outras coisas como moeda, por exemplo conchas, pele, sal, cereais…. Búzios foram usados como dinheiro por cerca de 4000 anos por toda a Africa, Ásia Meridional, Ásia Oriental e Oceânia.</p><p id="b9e4">Ainda hoje as moedas e as notas de banco são uma forma rara de dinheiro, o total de dinheiro que existe no mundo é muito maior do que a quantidade total de moedas e notas de banco físicas, 90% do dinheiro que aparece nas nossas contas existe apenas nos servidores de computador.</p><p id="eca3">Agora tu deves estar a pensar, <i>mas porque este sistema financeiro funciona tão bem?!</i> — bem, talvez por esta qualidade básica: todos querem dinheiro porque todos querem dinheiro, por isso o dinheiro transformou-se num meio de troca universal que permite às pessoas converter quase tudo em quase qualquer coisa. Dinheiro “ideal” permite não só transformar uma coisa noutra como também armazenar riqueza porque é difícil de estragar e/ou perder, dinheiro “ideal” é também fácil de “transportar”.</p><p id="b4cb">Uma vez que o dinheiro pode converter, armazenar e transportar riqueza de forma fácil e barata, deu um contributo vital para o desenvolvimento de redes comerciais complexas e mercados dinâmicos, sem dinheiro as redes comerciais e os mercados estariam condenados a permanecer muito limitados no seu tamanho, complexidade e dinamismo.</p><blockquote id="51df"><p>Como Funciona o Dinheiro?!</p></blockquote><p id="6499">Dólares, moedas apenas teem valor na nossa imaginação comum, ou seja, dinheiro não é uma realidade material, é uma ideia psicológica que funciona convertendo matéria em conceitos mentais, <i>mas como consegue fazê-lo?</i> — as pessoas estão dispostas inúmeras coisas quando acreditam nas criações da sua imaginação coletiva, o dinheiro é como tal, um sistema de confiança mútua e o que criou esta confiança foi uma rede complexa e duradoura de relações políticas, sociais e económicas.</p><p id="7e35">Inicialmente, quando as primeiras versões de dinheiro foram criadas, as pessoas não tinham este tipo de confiança, pelo que era necessário definir como “dinheiro” coisas que tivessem valor intrínseco , assim o primeiro dinheiro conhecido da história foi a cevada suméria porque as pessoas podiam comê-la, por outro lado, era difícil de armazenar e transportar, para resolver este problema surgiu o shekel de prata, ao contrário da cevada o shekel de prata não tinha qualquer valor intrínseco, não se pode comer, beber ou vestir e é demasiado macio para usar em ferramentas, o seu valor é puramente cultural.</p><p id="6789">Os pesos padronizados de metais preciosos acabaram por dar origem às moedas, as primeiras moedas na história foram cunhadas por volta de 640 a.C. pelo rei Aliates da Lídia, na Anatólia Ocidental, estas moedas tinham um peso de ouro ou de prata padronizado e eram gravadas com uma marca de identificação, esta marca garantia 2 coisas: quanto material precioso a moeda continha e identificava a autoridade que tinha emitido a moeda e que garantia o seu valor.</p><p id="483d">Quase todas as moedas usadas hoje descendem das moedas da Lídia e à medida que a cunhagem estilo lídio se espalhava do Mediterrâneo ao oceano Índico, a China desenvolveu um sistema monetário ligeiramente diferente, baseado em moedas de bronze e lingotes de prata e ouro não marcados. No entanto, os dois sistemas monetários tinham o suficiente em comum para que fossem estabelecidas relações comerciais e monetárias próximas entre a zona chinesa e lídia. O surgimento de uma só zona monetária transnacional e transcultural dispôs as fundações para a unificação do mundo afro-asiático e eventualmente de todo o globo numa só esfera económica e política.</p><blockquote id="a505"><p>Porque teriam os chineses, indianos, espanhóis e muçulmanos (indivíduos culturalmente muito distintos) de partilhar a mesma crença no ouro?!</p></blockquote><p id="74f5">Bem, a partir do momento em que o comércio liga duas áreas, a lei da oferta e da procura tende a equilibrar os preços dos bens, para perceber o porquê, considere este caso teórico:</p><p id="1dfe">Assumindo que quando o comércio regular foi aberto entre a India e o Mediterrâneo, os indianos não tinham interesse no ouro, pelo que este quase não tinha valor mas no mediterrâneo o ouro era um símbolo de estatuto cobiçado e por isso tinha um valor elevado, o que aconteceria a seguir? Os mercadores que viajavam entre a India e o Mediterrâneo teriam reparado na diferença no valor do ouro, para terem lucro, comprariam ouro barato na India e venderiam caro no Mediterrâneo. Consequentemente, a procura pelo ouro na India iria aumentar, assim como o seu valor, ao mesmo tempo no Mediterrâneo o preço do ouro iria diminuir devido a uma maior quantidade deste. Em pouco tempo, o valor do ouro entre a India e o Mediterrâneo iria ser muito semelhante.</p><p id="f459"><b>Conclusão</b></p><p id="c813">Durante milhares de anos, filósofos, pensadores e profetas criticaram o dinheiro e chamaram-lhe a fonte de todo o mal. Por muito que seja verdade, o dinheiro também é o apogeu da tolerância humana, o dinheiro tem mais abertura de espírito que qualquer língua, lei estatal, código cultural, crença religiosa ou hábito social. O dinheiro é o único sistema de confiança criado pelos humanos que pode ser a ponte entre quase todas as falhas culturais e não discrimina baseado na religião género, raça, idade ou orientação sexual. Graças ao dinheiro, até as pessoas que não se conhecem e que não confiam umas nas outras conseguem cooperar eficazmente.</p></article></body>

Origins of Money | How Money Was Born

The hunter-gatherers had no money. Each band hunted and manufactured almost everything that was needed, different group members may have specialized in different tasks but they shared their goods and services through an economy of favors and obligations.

Little or nothing changed in this situation with the onset of the Agricultural Revolution, most people continued to live in small communities like the hunter-gatherers, each village was a unit economically auto sufficient sustained by mutual favors and obligations allied with some exchanges with strangers.

Asian Woman Carrying Rice Seedlings

The rise of the cities, kingdoms, and the improvement in transport infrastructures brought new opportunities for specialization, the highly populated cities provided full-time employment not just for carpenters and lawyers but also for shoemakers and soldiers. Villages that gained a good reputation for producing shoes or ceramics, for example, discovered that it was worth their specialization in that specific product and trade with other settlements for all the other goods they needed. However, this specialization created a problem, how to manage the exchange of goods between the specialists and populations?!

An economy of favors and obligations doesn’t work when a big number of strangers try to cooperate, one thing is to free help a brother or a neighbor, a very different thing is to take care of strangers who might never return the favor. We can resort to direct exchange, however, this is only effective between a limited range of products, it cannot form the basis for a complex economy.

Some societies tried to solve the problem establishing a central direct exchange system that collected the products from specialized producers and distributed them to those who needed them. This experiment failed miserably, “work by my possibilities and receive by my necessities” turned into “everyone would work as little as they can get away with and receive as much as they could grab. However, the majority of societies found an easier system to interconnect a big number of specialists — Money.

Money was created many times in many places, its development required no technological improvement, it was an entirely mental revolution, It involved the creation of a new intersubjective reality that only exists in a shared imagination of people. Money’s not coins and banknotes, money is anything that people are willing to use to represent systematically the value of other things with the purpose of trade goods and services. Money allows people to quickly and easily compare the value of different things, There have already been many types of money, the most common is the coin — a standardized piece of imprinted metal, however, yet money existed long before the invention of coinage and cultures have prospered using other things as currency like shells, cattle, skins, salt, grain, cloth(etc). Shells were used as money for about 4000 years all over Africa, Meridional Asia, Oriental Asia, and Oceania.

Nowadays, coins and banknotes are a rare form of money, the total money in the world is much more than the total of physical coins and banknotes that exists, 90% of the money that appears in our accounts exists only in computer servers.

Dow Jones Industrial Average

Now you must be thinking, but why this money system work so well?! — well, maybe because of this basic quality: everyone wants money because everyone wants money too, so money transformed into a universal medium of exchange that enables people to convert almost everything in almost anything else. “Ideal” money allows not only turn one thing into another but wealth storage as well because it’s hard to screw up and lose, “ideal” money is also easy to “transport”. Because money can convert, store, and transport wealth easily and cheaply, it made a vital contribution to the appearance of complex commercial networks and dynamic markets, without money, commercial networks and markets would have been doomed to remain very limited in their size, complexity, and dynamism.

“Dynamic Money”

How “Money” works?!

Dollars, coins only have value in ou common imagination, that is, money is not a material reality, is a psychological idea that works by converting matter into mental concepts, but why does it succeed?! — because people are willing to make numerous things when they believe in the inventions of our collective imagination, money is accordingly a system of mutual trust between humans, what created this trust was a complex and long-term political, social and economic network.

World Network

Initially, when the first versions of money were created, people didn’t have this sort of trust, so it was necessary to define “money” things that had real intrinsic value. History’s first known money Sumerian barley money because people could eat it. On the other hand, it was difficult to store and transport barley, to solve this problem arose the silver shekel, unlike the barley, the silver shekel had no inherent value, you cannot eat, drink or clothe yourself in silver, and it’s too soft for making useful tools, their value is purely cultural.

Set weights of precious metals eventually gave birth to coins, first coins in history were struck around 640 BC by King Alyattes of Lydia, in western Anatolia, these coins had a standardized weight of gold or silver, and were imprinted with an identification mark, the mark warranty two things: how much precious metal the coin contained and the authority who had issued the coin that guaranteed its content.

First Coin-King Alyattes

Almost all coins in use today are descendants of the Lydian coins and as Lydian-style coinage was spreading from the Mediterranean to the Indian Ocean, China developed a slightly different monetary system, based on bronze coins and unmarked silver and gold ingots, however, the two monetary systems had enough in common that close monetary and commercial relations were established between the Chinese zone and the Lydian zone, the appearance of a single trans-national and trans-cultural monetary zone laid the foundation for the unification of Afro-Asia, and eventually of the entire globe, into a single economic and political sphere.

Treated Gold

Yet, why should Chinese, Indians, Spaniards, and Muslims(very different cultures) share the same belief in gold?!

Well, Once trade connects two areas, the law of supply and demand tend to equalize the prices of goods, to understand why consider this theoretical case:

Assume that when regular trade opened between India and the Mediterranean Indians were uninterested in gold, so it was almost worthless but in the Mediterranean, gold was a coveted status symbol, hence its value was high, what would happen next? Merchants traveling between India and the Mediterranean would notice the difference in the value of gold, to make a profit, they would buy gold cheaply in India and sell it dearly in the Mediterranean. Consequently, the demand for gold in India would skyrocket, as would its value, at the same time the Mediterranean would experience an influx of gold, whose value would consequently drop. Within a short time, the value of gold in India and the Mediterranean would be quite similar.

Big Market

Conclusion

For thousands of years, philosophers, thinkers, and prophets have besmirched money and called it the root of all evil. Be that as it may, money is also the apogee of human tolerance. Money is more open-minded than language, state laws, cultural codes, religious beliefs, and social habits. Money is the only trust system created by humans that can bridge almost any cultural gap, and that does not discriminate based on religion, gender, race, age, or sexual orientation. Thanks to money, even people who don’t know each other and don’t trust each other can nevertheless cooperate effectively.

Versão em Português

Os caçadores-recoletores não tinham dinheiro, cada bando caçava e produzia quase tudo o que era necessário, diferentes membros do grupo poderiam especializar-se em diferentes tarefas mas partilhavam os bens e serviços através de uma economia de favores e obrigações.

Nada ou quase nada mudou com a ascensão da revolução agrícola, a maioria das pessoas continuou a viver em pequenas comunidades, tal como os caçadores-recoletores cada aldeia era uma unidade economicamente autossuficiente sustentada por favores e obrigações mútuas aliadas a algumas trocas com estanhos.

O crescimento das cidades, reinos e a melhoria nas redes de transporte trouxeram novas oportunidades de especialização, as cidades mais povoadas ofereciam emprego a tempo-inteiro não só para carpinteiros e advogados mas também para sapateiros e soldados. As aldeias que ganharam boa reputação por produzirem bons sapatos ou olaria, por exemplo, descobriram que valia a pena especializarem-se na produção desse produto específico e comerciar com outras povoações para obterem os outros produtos que precisavam. No entanto, esta especialização criou um problema, como gerir a troca de bens entre os especialistas e a população da forma mais justa possível?!

Uma economia de favores e obrigações não funciona quando um grande número de estranhos tentam cooperar, uma coisa é ajudar um irmão ou vizinho, outra coisa completamente diferente é colaborar com estranhos que poderão nunca retribuir o favor. Podemos recorrer à troca direta, no entanto, este método apenas é eficaz entre uma gama limitada de produtos, não pode servir de base a uma economia complexa. Algumas sociedades tentaram resolver o problema estabelecendo um sistema de trocas diretas que recolhia os produtos dos produtores especializados e distribuía-os pelos que deles precisavam. Esta experiência falhou miseravelmente, “trabalhar pelas minhas possibilidades e receber segundo as minhas necessidades” rapidamente se tornou em “todos trabalhariam tão pouco quanto pudessem e receberiam de acordo com o que conseguiriam apanhar”. Felizmente, a maioria das sociedades encontraram um sistema mais seguro para interligar um grande número de especialistas — o dinheiro.

O dinheiro foi criado muitas vezes em muitos locais, o seu desenvolvimento não requeria avanços na tecnologia, foi apenas uma revolução unicamente mental. Envolveu a criação de uma nova realidade intersubjetiva que apenas existe na imaginação partilhada das pessoas. Dinheiro não são moedas nem notas de banco, o dinheiro é tudo o que as pessoas estão dispostas a usar para sistematicamente representar o valor de outras coisas com o propósito de trocar bens e serviços, o dinheiro permitiu às pessoas compararem rápida e facilmente o valor de diferentes coisas. Já existiram muitos tipos de dinheiro, o mais comum é a moeda — um pedaço padronizado de metal gravado, no entanto, já existia dinheiro muito antes da invenção da cunhagem e as culturas prosperaram usando outras coisas como moeda, por exemplo conchas, pele, sal, cereais…. Búzios foram usados como dinheiro por cerca de 4000 anos por toda a Africa, Ásia Meridional, Ásia Oriental e Oceânia.

Ainda hoje as moedas e as notas de banco são uma forma rara de dinheiro, o total de dinheiro que existe no mundo é muito maior do que a quantidade total de moedas e notas de banco físicas, 90% do dinheiro que aparece nas nossas contas existe apenas nos servidores de computador.

Agora tu deves estar a pensar, mas porque este sistema financeiro funciona tão bem?! — bem, talvez por esta qualidade básica: todos querem dinheiro porque todos querem dinheiro, por isso o dinheiro transformou-se num meio de troca universal que permite às pessoas converter quase tudo em quase qualquer coisa. Dinheiro “ideal” permite não só transformar uma coisa noutra como também armazenar riqueza porque é difícil de estragar e/ou perder, dinheiro “ideal” é também fácil de “transportar”.

Uma vez que o dinheiro pode converter, armazenar e transportar riqueza de forma fácil e barata, deu um contributo vital para o desenvolvimento de redes comerciais complexas e mercados dinâmicos, sem dinheiro as redes comerciais e os mercados estariam condenados a permanecer muito limitados no seu tamanho, complexidade e dinamismo.

Como Funciona o Dinheiro?!

Dólares, moedas apenas teem valor na nossa imaginação comum, ou seja, dinheiro não é uma realidade material, é uma ideia psicológica que funciona convertendo matéria em conceitos mentais, mas como consegue fazê-lo? — as pessoas estão dispostas inúmeras coisas quando acreditam nas criações da sua imaginação coletiva, o dinheiro é como tal, um sistema de confiança mútua e o que criou esta confiança foi uma rede complexa e duradoura de relações políticas, sociais e económicas.

Inicialmente, quando as primeiras versões de dinheiro foram criadas, as pessoas não tinham este tipo de confiança, pelo que era necessário definir como “dinheiro” coisas que tivessem valor intrínseco , assim o primeiro dinheiro conhecido da história foi a cevada suméria porque as pessoas podiam comê-la, por outro lado, era difícil de armazenar e transportar, para resolver este problema surgiu o shekel de prata, ao contrário da cevada o shekel de prata não tinha qualquer valor intrínseco, não se pode comer, beber ou vestir e é demasiado macio para usar em ferramentas, o seu valor é puramente cultural.

Os pesos padronizados de metais preciosos acabaram por dar origem às moedas, as primeiras moedas na história foram cunhadas por volta de 640 a.C. pelo rei Aliates da Lídia, na Anatólia Ocidental, estas moedas tinham um peso de ouro ou de prata padronizado e eram gravadas com uma marca de identificação, esta marca garantia 2 coisas: quanto material precioso a moeda continha e identificava a autoridade que tinha emitido a moeda e que garantia o seu valor.

Quase todas as moedas usadas hoje descendem das moedas da Lídia e à medida que a cunhagem estilo lídio se espalhava do Mediterrâneo ao oceano Índico, a China desenvolveu um sistema monetário ligeiramente diferente, baseado em moedas de bronze e lingotes de prata e ouro não marcados. No entanto, os dois sistemas monetários tinham o suficiente em comum para que fossem estabelecidas relações comerciais e monetárias próximas entre a zona chinesa e lídia. O surgimento de uma só zona monetária transnacional e transcultural dispôs as fundações para a unificação do mundo afro-asiático e eventualmente de todo o globo numa só esfera económica e política.

Porque teriam os chineses, indianos, espanhóis e muçulmanos (indivíduos culturalmente muito distintos) de partilhar a mesma crença no ouro?!

Bem, a partir do momento em que o comércio liga duas áreas, a lei da oferta e da procura tende a equilibrar os preços dos bens, para perceber o porquê, considere este caso teórico:

Assumindo que quando o comércio regular foi aberto entre a India e o Mediterrâneo, os indianos não tinham interesse no ouro, pelo que este quase não tinha valor mas no mediterrâneo o ouro era um símbolo de estatuto cobiçado e por isso tinha um valor elevado, o que aconteceria a seguir? Os mercadores que viajavam entre a India e o Mediterrâneo teriam reparado na diferença no valor do ouro, para terem lucro, comprariam ouro barato na India e venderiam caro no Mediterrâneo. Consequentemente, a procura pelo ouro na India iria aumentar, assim como o seu valor, ao mesmo tempo no Mediterrâneo o preço do ouro iria diminuir devido a uma maior quantidade deste. Em pouco tempo, o valor do ouro entre a India e o Mediterrâneo iria ser muito semelhante.

Conclusão

Durante milhares de anos, filósofos, pensadores e profetas criticaram o dinheiro e chamaram-lhe a fonte de todo o mal. Por muito que seja verdade, o dinheiro também é o apogeu da tolerância humana, o dinheiro tem mais abertura de espírito que qualquer língua, lei estatal, código cultural, crença religiosa ou hábito social. O dinheiro é o único sistema de confiança criado pelos humanos que pode ser a ponte entre quase todas as falhas culturais e não discrimina baseado na religião género, raça, idade ou orientação sexual. Graças ao dinheiro, até as pessoas que não se conhecem e que não confiam umas nas outras conseguem cooperar eficazmente.

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