QUANDO SE PERDEM OS MELHORES AMIGOS
Infelizmente já perdi o meu melhor amigo. Na verdade não foi um melhor amigo, mas sim os meus três melhores amigos.
O primeiro foi o Carlos
Quando vim viver para Portugal tinha 17 anos. Tinha concluído o ensino secundário e não queria continuar com os estudos. Então arranjei trabalho numa oficina enquanto ajudante de torneiro mecânico. Foi lá que conheci o Carlos. Ele era 1 ano e 1 dia mais velho de que eu, então festejávamos o nossos aniversários sempre juntos. Foi o meu primeiro amigo em Portugal, e tornou-se o meu melhor amigo. Éramos inseparáveis. O Carlos faleceu de acidente de moto aos 21 ou 22 anos (já não tenho bem a certeza). Nunca se soube muito bem o que aconteceu, porque o automobilista que o derrubou fugiu sem deixar rasto. Foi um golpe duro, mas a vida continua!
O segundo foi o Cláudio
Um grande amigo, com quem partilhei bons momentos. E apesar de já não convivermos à data do seu falecimento, afastamento devido às suas opções de vida com as quais eu não queria nada, com drogas pesadas, também me custou imenso. Faleceu devido ao uso de drogas e álcool, a necessitar de transplantes de rins e fígado. Só soube da suas morte alguns meses depois. Nem sequer fui ao seu funeral. Coincidências da vida, há cerca de 5 anos conheci uma rapariga, que afinal não era senão a sua irmã ( tinha-a visto enquanto criança algumas vezes, mas não a reconheci), hoje somos amigos.
O terceiro, era o Francisco
Aqui ainda é mais complicado. O Francisco, não era apenas o melhor amigo. Era um irmão. Fomos criados juntos. As nossas mães são ainda hoje as melhores amigas. Conhecem-se desde crianças. Nós tínhamos seguido os passos delas e como sempre nos conhecemos éramos mesmo irmãos. Ainda hoje, quem nos conhece pensa que somos primos (era como todos nos tratavam, e até mesmo nós referíamo-nos a nós próprios como primos). Inseparáveis. Bebemos a primeira cerveja juntos. Fumámos o primeiro cigarro juntos (não que seja propriamente uma coisa boa). Estávamos juntos quando tivemos as nossas primeiras namoradas. Enfim, estão a perceber o filme. O Francisco faleceu com 38 anos, no aniversário da sua mãe. Um grave problema de alcoolismo, acabou por levá-lo demasiado cedo. Devido à distância que nos separava, já não o via há alguns anos. Passados uns anos após a sua morte, o filho mais velho, fez questão de me conhecer ( ele já me conhecia mas não se lembrava pois ainda era muito novo). O rapaz tinha cerca de 16 anos e veio ver-me porque o pai falava muito de mim e das nossas peripécias. Ele quiz saber mais sobre nós e a nossa amizade. Foi uma tarde agradável, em passei o tempo todo a contar as nossas histórias desde pequenos, o que ele ouvia atentamente e com os olhos regalados. Foi bom recordar.
Perdi mais alguns amigos por causa da má vida, apenas restamos 2 ou 3, que optaram por uma vida pacata e familiar. Mas estes 3 foram mesmo os mais importantes, OS MELHORES AMIGOS!
Aos meus 3 melhores amigos, cada um numa altura diferente da vida, dedico este texto e se existe algo depois da morte, tenho a certeza que voltaremos a encontrar-nos. Saudades de vocês 🙏

