avatarAndré Agrela Gonçalves

Free AI web copilot to create summaries, insights and extended knowledge, download it at here

4772

Abstract

ps://unsplash.com/@jontyson?utm_source=medium&utm_medium=referral">Jon Tyson</a> on <a href="https://unsplash.com?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Unsplash</a></figcaption></figure><h2 id="4cab">Sou priviligiado porque sou homem.</h2><p id="a600">Visto-me rapidamente sem pensar se ou como vão olhar para mim. Nunca tive de pensar em carreira vs. família. Nunca pensei que podia ganhar menos do que outrem. Não tenho o mesmo medo de andar sozinho na rua, sobretudo de noite.</p><h2 id="82a7">Sou priviligiado porque sou branco.</h2><p id="5801">E venho de uma família de brancos. Não tenho na minha memória nem ativo nos meus genes todos os traumas históricos (e ainda hoje vigentes) dos negros. Tenho, no entanto, estereótipos — a maioria infundados — sobre a sociedade em que cresci dos quais ainda não me consegui soltar totalmente.</p><h2 id="3f95">Sou privigiliado graças à minha classe social.</h2><p id="a8a0">Os meus pais tiveram organização, visão e espírito de sacrifício para construir uma estabilidade da qual eu usufrui e usufruo. Como consequência, tenho mais e melhor educação. Viajei bastante e tenho uma visão mais completa do mundo.</p><p id="54cc">E tudo somado, consigo tomar melhores decisões do que quem é pobre.</p><p id="5d5a">Quem o diz não sou eu. É Rutger Bregman em <i>Utopia for Realists.</i></p><h1 id="6c9d">Não são pobres porque tomam más decisões. Tomam más decisões porque são pobres</h1><p id="e25c">Os pobres cometem mais crimes. Têm mais propensão à obesidade. Usam mais alcóol e drogas. E tomam piores decisões. E não, isto não é uma crítica. É despir a realidade neste ecrã.</p><p id="335b">No fundo, é o reconhecimento de que o meu caminho — e quiçá o teu também? — é mais fácil do que o deles.</p><p id="536c">E de se eu ou tu estivessemos na posição deles, não seríamos melhores. Tomaríamos decisões igualmente más.</p><p id="1520">Os pobres vivem no que o Bregman chama de <i>mental scarcity</i>, ou escassez mental. Uma perceção mental que leva a que as pessoas a comportarem-se de forma diferente quando percecionam algo como sendo escasso.</p><p id="fab0">Apesar de ser positivo ao ajudar na resolução de problemas no curto-prazo, tem muitas desvantagens ao não permitir um pensamento a longo-prazo.</p><p id="98d4">Há demasiados estímulos e ameaças no presente que preocupam e levam a tomar decisões precipitadas, pouco acertadas e inclusive aparentemente irracionais. Estímulos que tornam difícil planear e antecipar o futuro.</p><h1 id="fe2b">Não somos só especiais</h1><p id="0c30">Uma experiência feita pelo psicológo e investigador na Universidade de Princeton Eldar Shafir, mostrou que os efeitos da pobreza levam o cérebro dos pobres a viverem como se não tivessem dormido por uma noite. São 13–14 pontos de IQ a menos.</p><p id="1860">Tudo somado, óbvio que os meus privilégios me fazem ter mais vida mais fácil.</p><p id="4b8d">Onde é mais fácil viver em harmonia. Onde é mais fácil viver a vida ao máximo e ser quem eu quiser — como o Fred Canto e Castro tanto prega.</p><p id="908e">Eis o que me mexe comigo: é que não é só sobre nós.</p><p id="7c73">Vai continuar a custar ver o pobre pedir esmola, mesmo que tenhamos — o que nos convencemos ser — um emprego ou vida de sonho.</p><p id="1ed4">Que, atenção, temos todo o direito de sonhar com e de perseguir.</p><p id="9457">Mas sem esquecer — e reconhecendo, sobretudo perante nós mesmos — que não somos só especiais.</p><p id="0fd9">Somos também priviligiados.</p><p id="1b0e">E por isso, aquilo que atingimos não é só mérito nosso. É também privilégio.</p><p id="4136">E isso traz-nos duas escolhas.</p><h1 id="9208">Entre o privilégio e o mérito</h1><figure id="bc2a"><img src="https://cdn-images-1.readmedium.com/v2/resize:fit:800/0*1RIGnxM3DFeYMUwm"><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@austindistel?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Austin Distel</a> on <a href="https://unsplash.com?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Unsplash</a></figcaption></figure><p id="3593">A primeira escolha é vivermos a olhar para o lado, felizes com os nossos privilégios.</p><p id="e914">Aprendendo a olhar do alto dos nossos traumas (sim, os priviligiados também têm traumas — olhem só o Trump!).</p><p id="deab">Reconhecendo que temos um ego ferido por uma experiência de crescimento traumática (imaginem os não priviligiados!) que nos limita com medos e inseguranças infundados. Sejamos super priviligiados ou só um pouco priviligiados — dá igual.</p><p id="839d">E através de uma séries de técnicas — psicoterapia, meditações ativas, yoga, bioenergética, terapia pelo som, banhos na floresta, ou o que seja que faz sentido a cada um em cada momento — ultrapassarmos estas limitações e chegarmos mais perto de uma vida mais plen

Options

a e realizada.</p><p id="1aae">Ou — opção 2 — juntarmos à escolha anterior uma pitada de coragem.</p><p id="fcbe">E valorizarmos o nosso caminho reconhecendo que somos um misto de esforço, trabalho e valor, sim. Mas também de privilégio sem o qual não estariamos onde estamos.</p><p id="8e5b">Privilégios que fazem nos facilitam o caminho a percorrer.</p><p id="6e9a">Que tornam mais fácil percebermos que podemos ser mais e melhores. E vivermos na tal harmonia que falávamos antes.</p><p id="b541">Isto enquanto o <i>average Joe</i>, que não tem muitos destes privilégios, mais dificilmente — ou mais tardiamente— vai perceber que existe esse caminho para percorrer.</p><p id="b5c8">Reconhecendo que somos provavelmente o resultado de um misto de mérito e privilégio, acredito que fica mais fácil não julgar quem vive no medo ou comportando-se como um pobre ou um <i>average Joe</i>.</p><p id="13b7">Só que há uma contrapartida: não vais conseguir ficar indiferente, agora que tens um julgamento mais compreensivo e tolerante.</p><h1 id="1ca7">Construção de um mundo melhor: priviligiados precisam-se</h1><p id="ecfd">Porque a humanidade em nós faz-nos querer resgatar o outro para junto da nossa posição mais harmoniosa e segura.</p><p id="4186">Só que, como o Henrique Raposo referiu recentemente a propósito da pobreza, sem uma compreensão holítisca da origem e das consequências da ausência de privilégio, dificilmente conseguimos resgatá-los.</p><p id="826c">Isto porque o outro, que talvez não seja menos especial do que eu e tu mas sim menos priviligiado, precisa dos nossos privilégios para chegar mais perto de nós.</p><p id="2a8f">Por isso precisamos que os mais priviligiados, seja a que nível de privilégio for — diria que a consciência de ser priviligiado pode ser o factor de auto-convocatória — digam presente.</p><p id="bcc8">Que não trabalhem exclusivamente no seu desenvolvimento pessoal ou no seu sucesso profissional. E que ajudem também a ajudar a construir sociedades onde haja mais priviligiados.</p><p id="0de4">Podemos dizer que somos todos um, ir à missa aos domingos, meditar em círculos ou usando apps, ou pagar uma quota anual numa (ou em muitas) ONGs.</p><p id="2470">Podemos decidir que queremos é um pedaço de terra para sermos felizes ou uma caravana para viajar pelo mundo e não nos chatearem. Ou ficarmos conformados num emprego numa empresa top que paga um bom salário.</p><p id="2047">Mas não é isto, em parte, egoísta? (Questiono-me).</p><h1 id="2113">A responsabilidade que sabemos que temos</h1><figure id="6dcb"><img src="https://cdn-images-1.readmedium.com/v2/resize:fit:800/0*5KgRMaB8zA0gJeBZ"><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@libraryofcongress?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Library of Congress</a> on <a href="https://unsplash.com?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Unsplash</a></figcaption></figure><p id="2e53">Por enquanto o fazemos, deixamos aqueles cujo ego ferido — que aprendeu que é pelo oportunismo e autoridade imposta que se está seguro e em harmonia — a “liderar” empresas, governos e altas intituições de “cooperação”.</p><p id="9981">Com o tipo de (falta de) resultados que (não) temos visto.</p><p id="5c10">E se não é egoísmo, é — para mim — lamentável. Porque os nossos privilégios dão-nos poder.</p><p id="d36e">Há muitos anos que a frase seguinte, que infelizmente não me recordo onde li, seguinte me ressoa cá dentro. Tão simples como:</p><blockquote id="b95c"><p>Great power comes with great responsibility.</p></blockquote><p id="9550">Ou <i>o grande poder acarreta uma grande responsabilidade.</i></p><p id="affa">Precisamos urgentemente de desenhar novos processos para atravessar conflitos, diferenças de opinião e objetivos e e tomar decisões que façam do mundo um lugar melhor.</p><p id="b16b">De desenhar rituais que reavivem a nossa humanidade — os que temos estão demasiado focados nos consumo e pouco na conexão entre nós e com a Natureza.</p><p id="ad92">Pega nos teus privilégios, continua a trabalhar o teu desenvolvimento pessoal e sucesso profissional mas vem daí tentar fazer algo pelo todo.</p><p id="7210">Os teus privilégios não te dão apenas mais poder e um caminho mais fácil em relação aos não priviligiados: eles acarream também uma responsabilidade.</p><p id="258e">E quanto mais e maiores os privilégios, mais e a maior a responsabilidade.</p><p id="f6a7">Podes ignorá-la. Mas ela vai estar sempre lá.</p><p id="3828">É a nossa humanidade.</p><p id="bc76"><i>PS: Se sentires que de alguma forma te apontei o dedo, não fui eu. Nem sei quem és. O dedo é o da tua mão. Significa que algo ressoou em ti. Nem que seja discórdia total com o que escrevi. O que (não) sentimos é nossa responsabilidade. Não é de mais ninguém.</i></p></article></body>

PT| Os teus privilégios não te dão só mais poder: vêm com uma responsabilidade.

Photo by Larm Rmah on Unsplash

(Banda sonora sugerida durante a leitura aqui)

Não somos alheios ao pobre que pede esmola na rua.

Ninguém é. E por melhor que que possamos ser a olhar para o discretamente lado e a seguir em frente, cá dentro, o sentimento é igual.

Há uma humanidade dentro de nós. Que todos partilhamos. E que é mais fácil encontrar quando vivemos em harmonia.

Tinha 14 anos quando li o meu primeiro livro do Robin Sharma. Hoje mais famoso pelo Clube das 5 da Manhã.E muitos outros autores depois a falarem sobre a dualidade de vivermos em harmonia ou em medo.

E como o que acontece de errado nas nossas vidas e na sociedade no geral deriva de vivermos em medo, ao invés de em harmonia.

E como é fácil para mim, e para ti que estás desse lado do ecrã, pensarmos que queremos viver em harmonia — não é?

Que nos vamos esforçar para tal. Para sermos um exemplo para os demais.

Mas é errado.

A linha que (nos) separa

É errado porque o nosso cérebro acaba por construir caixas. Caixas que guardam a mensagem de que nós estamos no lado certo, a tentar viver em harmonia.

O que, de forma menos foleira, não é mais do que respeitar o outro.

A sua opinião, ainda que diferente da nossa.

A forma como se veste, ainda que tenhamos estereótipos sobre o indivíduo consoante as vestes que carrega.

Saber receber críticas, sem sermos deitados a baixo ou duvidarmos do nosso valor.

Dar um ombro amigo sem julgar.

Tomar decisões difíceis confiando que estamos a fazer a escolha certo, conseguindo gerir medos descontextualizados.

Perceber que os ataques dos outros muitas vezes não são diretamente dirigidos a nós mas que funcionamos como um espelho face ao que outros (não) gostam em si.

Só há um (grande) problemas.

Percebemos que não somos especiais

Separamo-nos dos demais.

Pois é. Aqui estamos nós a tentar viver em harmonia.

E ali estão os demais. Que precisam de ser ajudados. Por nós, os que vivem em harmonia.

Criamos uma linha que separa duas caixas.

E quão difícil não é olhar para os demais de forma igual. Quando sabes — ou, melhor, julgas — que eles não estão tão empenhados em viver em harmonia e atingir o seu máximo potencial— que é o caminho certo — como tu.

E será que não nos vemos como mais especiais do que eles?

Eu via.

Eu sou especial, claro. De tenra idade que me questiono sobre questões maiores: acerca do planeta e da humanidade. Como foi. Como e porquê é que é. Como poderá vir a ser. E o que posso eu fazer a esse respeito.

Vários livros, terapias, cursos de desenvolvimento pessoal depois, aqui estou eu. Claramente a viver mais em harmonia do que os outros. A conseguir perceber a frustação e a ira dos demais.

A conseguir analisar friamente comportamentos e atitudes. Inclusive a perceber a sua origem quando se trata daqueles que me são mais próximos.

A inspirar quem me ouve em palestras ou quem me lê em blogs porque sei já algumas coisas graças à educação, aos livros e aos cursos que fui e vou tirando. E estou bem na vida, o que me permite gozar de uma certa criatividade e vivacidade.

Estou certo que também tu, em vários momentos sentes o mesmo.

Parece que somos um pouco mais especiais do quem temos à frente.

Porque temos mais anos de experiência profissional em certa área. Porque já vivemos algo semelhante e ultrapassámos certos problemas.

O que seja.

E pessoalmente, tenho orgulho no meu percurso.

A sério que tenho. Só que não sou especial. Sou priviligiado. E disso, sempre tive uma vergonha enorme. Porque só queria ser igual à maioria. E não ter este peso sobre os meus ombros.

Encontrar os nossos privilégios

Photo by Jon Tyson on Unsplash

Sou priviligiado porque sou homem.

Visto-me rapidamente sem pensar se ou como vão olhar para mim. Nunca tive de pensar em carreira vs. família. Nunca pensei que podia ganhar menos do que outrem. Não tenho o mesmo medo de andar sozinho na rua, sobretudo de noite.

Sou priviligiado porque sou branco.

E venho de uma família de brancos. Não tenho na minha memória nem ativo nos meus genes todos os traumas históricos (e ainda hoje vigentes) dos negros. Tenho, no entanto, estereótipos — a maioria infundados — sobre a sociedade em que cresci dos quais ainda não me consegui soltar totalmente.

Sou privigiliado graças à minha classe social.

Os meus pais tiveram organização, visão e espírito de sacrifício para construir uma estabilidade da qual eu usufrui e usufruo. Como consequência, tenho mais e melhor educação. Viajei bastante e tenho uma visão mais completa do mundo.

E tudo somado, consigo tomar melhores decisões do que quem é pobre.

Quem o diz não sou eu. É Rutger Bregman em Utopia for Realists.

Não são pobres porque tomam más decisões. Tomam más decisões porque são pobres

Os pobres cometem mais crimes. Têm mais propensão à obesidade. Usam mais alcóol e drogas. E tomam piores decisões. E não, isto não é uma crítica. É despir a realidade neste ecrã.

No fundo, é o reconhecimento de que o meu caminho — e quiçá o teu também? — é mais fácil do que o deles.

E de se eu ou tu estivessemos na posição deles, não seríamos melhores. Tomaríamos decisões igualmente más.

Os pobres vivem no que o Bregman chama de mental scarcity, ou escassez mental. Uma perceção mental que leva a que as pessoas a comportarem-se de forma diferente quando percecionam algo como sendo escasso.

Apesar de ser positivo ao ajudar na resolução de problemas no curto-prazo, tem muitas desvantagens ao não permitir um pensamento a longo-prazo.

Há demasiados estímulos e ameaças no presente que preocupam e levam a tomar decisões precipitadas, pouco acertadas e inclusive aparentemente irracionais. Estímulos que tornam difícil planear e antecipar o futuro.

Não somos só especiais

Uma experiência feita pelo psicológo e investigador na Universidade de Princeton Eldar Shafir, mostrou que os efeitos da pobreza levam o cérebro dos pobres a viverem como se não tivessem dormido por uma noite. São 13–14 pontos de IQ a menos.

Tudo somado, óbvio que os meus privilégios me fazem ter mais vida mais fácil.

Onde é mais fácil viver em harmonia. Onde é mais fácil viver a vida ao máximo e ser quem eu quiser — como o Fred Canto e Castro tanto prega.

Eis o que me mexe comigo: é que não é só sobre nós.

Vai continuar a custar ver o pobre pedir esmola, mesmo que tenhamos — o que nos convencemos ser — um emprego ou vida de sonho.

Que, atenção, temos todo o direito de sonhar com e de perseguir.

Mas sem esquecer — e reconhecendo, sobretudo perante nós mesmos — que não somos só especiais.

Somos também priviligiados.

E por isso, aquilo que atingimos não é só mérito nosso. É também privilégio.

E isso traz-nos duas escolhas.

Entre o privilégio e o mérito

Photo by Austin Distel on Unsplash

A primeira escolha é vivermos a olhar para o lado, felizes com os nossos privilégios.

Aprendendo a olhar do alto dos nossos traumas (sim, os priviligiados também têm traumas — olhem só o Trump!).

Reconhecendo que temos um ego ferido por uma experiência de crescimento traumática (imaginem os não priviligiados!) que nos limita com medos e inseguranças infundados. Sejamos super priviligiados ou só um pouco priviligiados — dá igual.

E através de uma séries de técnicas — psicoterapia, meditações ativas, yoga, bioenergética, terapia pelo som, banhos na floresta, ou o que seja que faz sentido a cada um em cada momento — ultrapassarmos estas limitações e chegarmos mais perto de uma vida mais plena e realizada.

Ou — opção 2 — juntarmos à escolha anterior uma pitada de coragem.

E valorizarmos o nosso caminho reconhecendo que somos um misto de esforço, trabalho e valor, sim. Mas também de privilégio sem o qual não estariamos onde estamos.

Privilégios que fazem nos facilitam o caminho a percorrer.

Que tornam mais fácil percebermos que podemos ser mais e melhores. E vivermos na tal harmonia que falávamos antes.

Isto enquanto o average Joe, que não tem muitos destes privilégios, mais dificilmente — ou mais tardiamente— vai perceber que existe esse caminho para percorrer.

Reconhecendo que somos provavelmente o resultado de um misto de mérito e privilégio, acredito que fica mais fácil não julgar quem vive no medo ou comportando-se como um pobre ou um average Joe.

Só que há uma contrapartida: não vais conseguir ficar indiferente, agora que tens um julgamento mais compreensivo e tolerante.

Construção de um mundo melhor: priviligiados precisam-se

Porque a humanidade em nós faz-nos querer resgatar o outro para junto da nossa posição mais harmoniosa e segura.

Só que, como o Henrique Raposo referiu recentemente a propósito da pobreza, sem uma compreensão holítisca da origem e das consequências da ausência de privilégio, dificilmente conseguimos resgatá-los.

Isto porque o outro, que talvez não seja menos especial do que eu e tu mas sim menos priviligiado, precisa dos nossos privilégios para chegar mais perto de nós.

Por isso precisamos que os mais priviligiados, seja a que nível de privilégio for — diria que a consciência de ser priviligiado pode ser o factor de auto-convocatória — digam presente.

Que não trabalhem exclusivamente no seu desenvolvimento pessoal ou no seu sucesso profissional. E que ajudem também a ajudar a construir sociedades onde haja mais priviligiados.

Podemos dizer que somos todos um, ir à missa aos domingos, meditar em círculos ou usando apps, ou pagar uma quota anual numa (ou em muitas) ONGs.

Podemos decidir que queremos é um pedaço de terra para sermos felizes ou uma caravana para viajar pelo mundo e não nos chatearem. Ou ficarmos conformados num emprego numa empresa top que paga um bom salário.

Mas não é isto, em parte, egoísta? (Questiono-me).

A responsabilidade que sabemos que temos

Photo by Library of Congress on Unsplash

Por enquanto o fazemos, deixamos aqueles cujo ego ferido — que aprendeu que é pelo oportunismo e autoridade imposta que se está seguro e em harmonia — a “liderar” empresas, governos e altas intituições de “cooperação”.

Com o tipo de (falta de) resultados que (não) temos visto.

E se não é egoísmo, é — para mim — lamentável. Porque os nossos privilégios dão-nos poder.

Há muitos anos que a frase seguinte, que infelizmente não me recordo onde li, seguinte me ressoa cá dentro. Tão simples como:

Great power comes with great responsibility.

Ou o grande poder acarreta uma grande responsabilidade.

Precisamos urgentemente de desenhar novos processos para atravessar conflitos, diferenças de opinião e objetivos e e tomar decisões que façam do mundo um lugar melhor.

De desenhar rituais que reavivem a nossa humanidade — os que temos estão demasiado focados nos consumo e pouco na conexão entre nós e com a Natureza.

Pega nos teus privilégios, continua a trabalhar o teu desenvolvimento pessoal e sucesso profissional mas vem daí tentar fazer algo pelo todo.

Os teus privilégios não te dão apenas mais poder e um caminho mais fácil em relação aos não priviligiados: eles acarream também uma responsabilidade.

E quanto mais e maiores os privilégios, mais e a maior a responsabilidade.

Podes ignorá-la. Mas ela vai estar sempre lá.

É a nossa humanidade.

PS: Se sentires que de alguma forma te apontei o dedo, não fui eu. Nem sei quem és. O dedo é o da tua mão. Significa que algo ressoou em ti. Nem que seja discórdia total com o que escrevi. O que (não) sentimos é nossa responsabilidade. Não é de mais ninguém.

Sociedade
Dinheiro
Desenvolvimento Pessoal
Sustentabilidade
Pobreza
Recommended from ReadMedium