avatarkeny portalegre

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Abstract

r feira comercial do Reino. Trem, Grande Rio e Barragem que já distribui energia. Não tardou que, pouco tempo depois de chegar, passe a liderar os grupos juvenis que foram surgindo. Uma habilidade, um dom, dos que nascem connosco. Até a tropa portuguesa onde ingressar no Dondo eu, soldado-piloto, auto-rodas, convencer alferes, tenentes e até capitães, com a minha retórica. Eu soube sempre falar e convencer quem me consegue ouvir. Mas atenção, que não saia deste comentário com a ideia de aumentar a autoestima ou a pura vaidade pessoal. Quem me conhece sabe exatamente o contrário.</p><p id="ca4a">Vou, entretanto, ao que interessa. Como disputas e rivalidades naquela época não podem ser comparadas (como podem ser?) Com os conflitos de cidadania, os ideológicos ou os étnicos regionais, já existentes naturalmente, muito menos com os de hoje. Estava muito distante das idéias que marcam os pensadores contemporâneos, os cientistas, eu e os meus parceiros que conhecemos a ideologia do futebol e da folgança.</p><p id="5a85">Como brigas entre Dondo e Calulo, vinham de longa data. Eram principalmente os jogos de futebol que são de diversas épocas, libolenses como Chavito, Capiço, Toneca Campos, Ruy Aníbal, Kitinango, Isidro Costa e companhia, até a beira do Kwanza como Guilherme Mendes, Campas Nunes, Sérgio Vilarigues, Mário Oliveira, Menga Kikuaman

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ga, Cecílio Paixão, Arlindo Torres e outros. Mais tarde, vieram mais novos jogadores e outra qualidade, casos de Mangala e Zeca Portalegre no Dondo e de Quintas e Zeca Santos em Calulo, entre outros nas duas vilas rivais. Há um “trumunu” que marca essas disputas disputadas. Em tempo que não sei precisar, o famoso Chavito Chaves, cliente assíduo de uma boa confusão, sem ambiente inóspito e hostil do Dondo, passou-se dos carros e deu entrada no campo ao volante de uma camionete em alta velocidade para atropelar ou árbitro desse jogo que prejudicava o Calulo. Ainda hoje, gravamos uma cena. Na verdade, nesse tempo, muito antes da minha chegada, como rivalidades tinham um figurino bem diferente.</p><p id="f292">Cheguei ao Dondo em 1960. Um ano crucial em que fermentar uma revolta que viria transformar Angola. Um dia, meu pai já estava no Dondo e disse-me: “vem, estamos mais perto de Luanda, uma barragem vai dar muita vida a isto, Angola vai crescer”. E eu fui. Para vender peixes e tubarões, farinha torrada, açúcar branco e mascavo, panos de pintados e riscados, cigarros franceses e caricocos, sabão e petróleo, cachos secos e escalados. A partir das sete da manhã de todos os dias, até oito da noite, com intervalo de uma hora para o almoço. Uma era folga ao domingo, para jogar futebol ou descansar da noite de sábado à noite.</p></article></body>

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NO CURSO DO GRANDE RIO

CENAS E PROTAGONISTAS (1)

Cheguei ao Dondo aos dezassete anos. Com toda a força que nessa idade tem, com ou sem efeito da descoberta da Ásia, também com o acanhamento próprio de quem tinha vivido até lá, exclusivamente, nenhum ambiente que nunca deixou de ser mítico e seu libro é genérico. Na vila de Calulo e os espaços no seu interior bravio. Gentio, primitivo, distante do desenvolvimento e da liberdade. Nunca adivinhei que naqueles matos cerrados se desenvolvem em estágio, um embrião de figuras que marcam a população e tornam-se diferentes. Muitos nomes viriam para mostrar mais tarde em muitas áreas.

Nunca me senti inferior ao Dondo. Agarre-me ao velho princípio, mais velho que o próprio Dondo, segundo ou qual, ter amor a terra em que nasceu não é simples mito. Facilmente supera os desfalques Cálculo, aumentando as vantagens por meio das ruínas históricas, dos edifícios da época em que o Dondo foi a maior feira comercial do Reino. Trem, Grande Rio e Barragem que já distribui energia. Não tardou que, pouco tempo depois de chegar, passe a liderar os grupos juvenis que foram surgindo. Uma habilidade, um dom, dos que nascem connosco. Até a tropa portuguesa onde ingressar no Dondo eu, soldado-piloto, auto-rodas, convencer alferes, tenentes e até capitães, com a minha retórica. Eu soube sempre falar e convencer quem me consegue ouvir. Mas atenção, que não saia deste comentário com a ideia de aumentar a autoestima ou a pura vaidade pessoal. Quem me conhece sabe exatamente o contrário.

Vou, entretanto, ao que interessa. Como disputas e rivalidades naquela época não podem ser comparadas (como podem ser?) Com os conflitos de cidadania, os ideológicos ou os étnicos regionais, já existentes naturalmente, muito menos com os de hoje. Estava muito distante das idéias que marcam os pensadores contemporâneos, os cientistas, eu e os meus parceiros que conhecemos a ideologia do futebol e da folgança.

Como brigas entre Dondo e Calulo, vinham de longa data. Eram principalmente os jogos de futebol que são de diversas épocas, libolenses como Chavito, Capiço, Toneca Campos, Ruy Aníbal, Kitinango, Isidro Costa e companhia, até a beira do Kwanza como Guilherme Mendes, Campas Nunes, Sérgio Vilarigues, Mário Oliveira, Menga Kikuamanga, Cecílio Paixão, Arlindo Torres e outros. Mais tarde, vieram mais novos jogadores e outra qualidade, casos de Mangala e Zeca Portalegre no Dondo e de Quintas e Zeca Santos em Calulo, entre outros nas duas vilas rivais. Há um “trumunu” que marca essas disputas disputadas. Em tempo que não sei precisar, o famoso Chavito Chaves, cliente assíduo de uma boa confusão, sem ambiente inóspito e hostil do Dondo, passou-se dos carros e deu entrada no campo ao volante de uma camionete em alta velocidade para atropelar ou árbitro desse jogo que prejudicava o Calulo. Ainda hoje, gravamos uma cena. Na verdade, nesse tempo, muito antes da minha chegada, como rivalidades tinham um figurino bem diferente.

Cheguei ao Dondo em 1960. Um ano crucial em que fermentar uma revolta que viria transformar Angola. Um dia, meu pai já estava no Dondo e disse-me: “vem, estamos mais perto de Luanda, uma barragem vai dar muita vida a isto, Angola vai crescer”. E eu fui. Para vender peixes e tubarões, farinha torrada, açúcar branco e mascavo, panos de pintados e riscados, cigarros franceses e caricocos, sabão e petróleo, cachos secos e escalados. A partir das sete da manhã de todos os dias, até oito da noite, com intervalo de uma hora para o almoço. Uma era folga ao domingo, para jogar futebol ou descansar da noite de sábado à noite.

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