COMO É BOM TER UM AMIGO RICO
Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, havia um rapaz na escola que andava sempre sozinho. Ninguém gostava dele (na verdade ele era um pouco mimado) e faziam-lhe a vida negra por ele ser judeu. Havia na cidade uma escola privada onde quase todos os alunos eram judeus, mas o pai dele quis que ele fosse para o ensino público para reforçar o seu “carácter”, nunca percebi muito bem essa atitude.
Um dia, as coisas foram um pouco longe demais nas brincadeiras estúpidas e tive de intervir. Por solidariedade e também por pena, enfrentei os agressores e levei-o para longe. A partir desse dia ele passou a ser a minha sombra. No início, achei aquilo desconfortável e tentei afastá-lo. Não resultou. Aos poucos fui me habituando á sua presença e passei a conhecê-lo melhor. Afinal até era bom rapaz.
Passados alguns meses, ele já fazia parte do meu grupo de amigos e andava sempre connosco. Os meus amigos e eu tínhamos por hábito fazer “Cross” com as nossas bicicletas BMX velhas e baratas. Ele ia com a gente mas claro que a bicicleta dele era “UAU”!
As nossas bicicletas era mais ou menos como esta.
A dele mais ou menos isto.
Como a nossa amizade foi-se fortalecendo, ele começou a convidar-me para a ir á sua casa. Era uma casa enorme e com um jardim muito bonito e onde passávamos horas a brincar. Nunca tinha visto tanto luxo.
Só para terem uma ideia do que estou falando. Foto tirada do Google como as outras duas.
Então um dia surgiu o convite. O pai dele veio ter comigo e perguntou-me se eu queria e se os meus pais autorizavam que eu fosse com eles no fim de semana para a sua casa de férias. Também me disse que tinha uma surpresa para mim. Falei com os meus pais e eles autorizaram.
Chegámos à casa de campo no sábado por volta do meio dia. Era perto de um lago e a paisagem era simplesmente fantástica. Almoçámos, e passámos o resto do dia a brincar. Depois do jantar, o pai disse-nos para irmos dormir que tínhamos que nos levantar cedo na manhã seguinte. Assim fizemos.
Era sete da manhã quando a mãe do Michel nos veio acordar. Tomámos o pequeno almoço e lá fomos nós.
Uns 15 minutos de carro e chegámos a um pequeno aeródromo com umas quantas avionetas estacionadas. Saímos do carro e dirigimo-nos para uma pequena aeronave. O pai dele mandou- me entrar, e depois de alguns preparos, levantámos voo. Então era está a surpresa? Adorei! Foi talvez o melhor fim de semana da minha vida.
Era uma coisa assim como esta.
Um dia, o Michel mudou de casa e nunca mais soube nada dele. É a vida!

