Por Cássio Aguiar — Owner
Hey, Geração Y: precisamos falar sobre HIV
“Documento — 35/20: do pânico à esperança” A AIDS abraça os jovens
"A morte invade a festa"
A frase do psicanalista Paulo Próspero ilustra bem os primeiros anos da AIDS. Os anos 60 e 70 foram intensos. Grandes conquistas e uma rebelião cultural que ganhou o mundo. A década de 80 chegou mostrando a cara do medo: assistimos a pré-estreia do documentário 35/20: do pânico à esperança, da GloboNews, e contamos o que achamos desta excelente produção que mostra como, em tão pouco tempo, muita coisa mudou de forma tão veemente.
"Há 35 anos, eram diagnosticados nos Estados Unidos os primeiros casos de doentes infectados pelo vírus da AIDS".
É assim a abertura deste documentário da GloboNews. A chamada, na época, peste gay fez o preconceito aumentar contra essas minorias. E isso ainda não mudou. Márcia Rachid, infectologista, destaca o grande problema que isto causou naquele momento, inclusive sendo tratado assim nos primeiros artigos acadêmicos sobre a epidemia.
O pânico tomou o mundo, assustando profissionais da saúde e os portadores. Era uma sentença de morte. Pior: uma sentença de segregação social. A medicina não estava preparada para o que estava acontecendo.
Nos anos 80 usava-se os recursos possíveis. As pessoas começaram a chegar nos hospitais em estágio avançado da doença.
A manifestação do vírus se dá por diminuir a resistência imunológica do corpo, tornando o portador suscetível a infecções banais. No entanto, todos morriam.
David Uip, infectologista, relembra uma dura realidade: "cada um de nós perdeu amigos, cada um de nós perdeu parentes, cada um de nós perdeu muitos pacientes."
Cazu Barros descobriu-se portador do vírus em 1991. O médico deu a ele seis meses de vida. E a partir do momento que soube, disse que começou "a lutar não só contra o HIV, mas contra o preconceito da sociedade". Já se passaram 25 anos.
“Foi ressuscitar os pacientes”
"Há 20 anos uma combinação de medicamentos, conhecido como coquetel, começou a ser usada salvando milhões de vidas"
Se a primeira citação era uma sentença de morte, a segunda era uma mensagem de boa esperança.
Assim, a GloboNews define o título de seu documentário. Os portadores ganharam qualidade de vida. O Dr. Drauzio Varella diz que o coquetel trouxe à vida pacientes já em estado terminal.
É possível conviver com o vírus desde que se trate da maneira correta.
O AZT foi uma das primeiras medicações fornecidas. Mas ao findar os efeitos do remédio não havia alternativa. Até que as pesquisas demonstraram a possibilidade de uma combinação de medicamentos, o chamados coquetel, a partir de meados dos anos 90, uma das maiores revoluções da medicina da atualidade, segunda Dr. Drauzio.
Anderson Oliveira nasceu com AIDS, contraído no parto. Aos 25 anos relata sua qualidade de vida e afirma que "a AIDS não mata. O que vai matar o soropositivo é o preconceito que o mundo tem".
Se a primeira geração que presenciou a morte de ídolos como Freddie Mercury, Cazuza, Renato Russo e vários outros artistas, causando comoção e conscientização, a chamada geração Y cresceu com o descuido da desinformação.
Hey, Y. Precisamos conversar!
Muitos adolescentes estão contraindo a doença por falta de informação — ou a falta de querer consumir essa informação, afinal, ela existe e é bem distribuída por aí. A existência do coquetel significa tratamento e não cura, como dito pelo infectologista Marcia Rachid. O Brasil conta com uma população de 800 mil brasileiros diagnosticados como soropositivos e 11 mil mortes anualmente. São números assustadores e ainda altos. O pior é o número de pessoas infectadas que ainda não tem conhecimento de sua condição.
A AIDS continua sendo uma doença vinculada ao preconceito, devido à forma de sua divulgação no início. Este mal ainda persiste. Heterossexuais sentem-se imunes bem como as mulheres. No entanto, o vírus não escolhe gênero e nem opção sexual. Não pergunta se tem preconceito ou não. Ele simplesmente ataca os desavisados.
O uso o preservativo, principalmente a camisinha, continua sendo a melhor forma de prevenção da doença. Se fez a opção de uma vida sexualmente ativa com vários parceiros, não abra mão do maior bem existente: sua vida.
A medicina já possibilita aos portadores viverem o mesmo tanto de anos de uma pessoa sem o vírus. Mas é um alto preço a se pagar, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Existem efeitos colaterais que não podem ser ignorados.
Esta produção, além de se somar às informações relevantes para o Dia Internacional de Combate à AIDS, comemorado em primeiro de dezembro, relembra a muitos: a AIDS não tem cura.
Depois da qualidade de vida, a sociedade ainda espera ouvir da comunidade científica que a cura chegou.
Este será um dia de vitória.
Este será um dia para ser lembrado por toda a história
A esperança mais uma vez venceu.
Veja a vida com novos óculos. Ou mesmo novos olhos.





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